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7 de set de 2005

Igreja de Santa Catarina

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Publicada por Miguel Carola
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Veiros no Tempo...

As origens da vila de Veiros, remontam à Pré-História. Se tivermos em linha de conta, alguns dados aportados pela arqueologia, a origem pode estar intimamente ligada ao Castelo Velho, um povoado fortificado da Idade do Ferro. Este assentamento, (juntamente com o castro de Segóvia perto de Elvas) é único no sul de Portugal, uma vez que não possui características de povoamento mediterrânico.

No castelo velho foram encontrados vestígios de cerâmica romana, indiciando que o local, foi ocupado aquando da romanização, antes dos novos senhores da península, se terem estabelecido no local, onde hoje assenta Veiros, à qual segundo alguns estudiosos, teriam dado o nome de VALERIUS.

Após a queda do Império Romano, a ocupação da península Ibérica, por Visigodos primeiro e depois por Muçulmanos, traz consigo um corte civilizacional, do qual há menos de um século, ainda restavam alguns vestígios, nomeadamente os silos de origem muçulmana. Esta forma de armazenar cereais, consistia na abertura de uma cova, ou buraco na terra, sendo as suas paredes protegidas da humidade, por vezes com barro, de forma a evitar a germinação das sementes. Os silos ganharam especial importância, durante a reconquista cristã, pois permitiam ás populações guardarem as suas reservas alimentares, mais protegidas de saques e razias. Curiosamente o lugar onde se encontravam até há pouco os silos, dá pelo nome de Alvarrã, palavra derivada do árabe, que significa o campo de cultivo.

D. Afonso II com a ajuda dos cavaleiros da ordem militar de Avis, comandados pelo seu mestre D. Fernando Anes, conquista Veiros em 1217. A partir desta data Veiros é integrado na jurisdição da dita ordem, sendo esta data marcante, uma vez que daqui em diante a história e importância da vila, andará lado a lado com a da ordem de Avis. Depois de Portugal definir as suas fronteiras terrestres em 1250, com a conquista do Algarve, Veiros ganha alguma importância, no contexto de uma rivalidade com Castela, sendo abundantes as referências à vila, bem como ao seu castelo, o qual conserva actualmente os traços da reforma mandada fazer por D. Dinis em 1308.

Em 1377 teve lugar o acontecimento mais marcante da história veirense. Inês Pires Esteves, filha do alcaide local, Pêro Esteves de alcunha o Barbadão, deu à luz um filho de D. João na altura o mestre da ordem militar de Avis e que mais tarde seria o rei D. João II, o primeiro da dinastia de Avis. O filho bastardo de D. João e Inês Pires Esteves, foi baptizado de Afonso, sendo posteriormente, feito o 8º Conde de Barcelos e 2º Conde de Neiva. D. Afonso casaria com D. Beatriz, filha única do Condestável do reino, Nuno Álvares Pereira, herdeira de um património considerável. Da união das duas casas nasceu a Casa de Bragança, um “reino” dentro do reino, tal o seu poder, sendo Afonso nascido em Veiros o seu primeiro duque, (em 1442) o maior do reino a seguir ao rei. A Casa de Bragança, além da Ordem de Avis marcará decisivamente o futuro de Veiros, ainda hoje no brasão de armas, da vila destaca-se a cruz dos Braganças.

A última dinastia dos reis de Portugal, acaba por ter origem em Veiros, uma vez que depois da restauração da independência, a 1 de Dezembro de 1640, o escolhido para rei Seria D. João II duque de Bragança, futuro D. João IV rei de Portugal, neto em sexta geração

Durante as Guerras Fernandinas, Veiros foi assolado por investidas castelhanas, como a de 1381, onde as forças conjuntas dos mestres de Alcântara e Santiago, puseram cerco à vila, não conseguindo no entanto tomar o castelo. Na crise de 1383-1385 Veiros mantém o seu protagonismo, pela sua posição estratégica. Aliás Veiros sempre ganhou importância, nos momentos de tensão com Castela e posteriormente com Espanha e sempre perdeu essa importância nos momentos de paz.

Durante a segunda dinastia, Portugal lança-se na Expansão ultramarina, o reino enriquece e Veiros não é excepção. Como reconhecimento da sua importância em 2 de Novembro de 1510 D. Manuel rei de Portugal, doa em Santarém, o Foral à vila de Veiros. Na mesma época há indícios, de alguma prosperidade comercial (à sua escala) da vila, atestados pelos documentos da inquisição de Évora, que referem um número considerável de judeus, não sendo de descartar, uma comunidade residente extra muros, naquela que hoje é conhecida como a Rua do Picadeiro,.

A 1 de Dezembro de 1640 Portugal restaura a sua independência, separando-se de Espanha. Dá-se inicio a mais um período de conflito com Espanha, que duraria até 1668, conhecido como a Guerra da Restauração, que durou até 1668. A 8 de Junho de 1663, D. João de Áustria, comandante do exército Espanhol, derrotado da Batalha do Ameixal, segue em retirada a caminho de Badajoz, cercando Veiros, fazendo explodir a torre de menagem do castelo, capturando os varões da vila, cortando-lhes as orelhas. Tal foi o terror semeado por D. João de Áustria que a vila terá ficado vazia e as suas gentes fugido para as terras fora dos limites do concelho. Os vizinhos ao verem os veirenses sem orelhas, terão utilizado a palavra troncho (mutilados sem uma orelha) para os designar. O interessante deste trágico episódio é que até aos dias de hoje os veirenses são conhecidos como os tronchos.

Depois da paz com Espanha a importância da vila vai-se dissipando, sendo o tempo medido, por alguns vestígios materiais, como a torre do relógio, datada de 1789 curiosamente o ano da Revolução Francesa.

Em 1812 no contexto da invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão, e da consequente Guerra Peninsular, Veiros foi quartel-general dos regimentos de infantaria 4 e 10 um parque de artilharia e um regimento de highlanders escoceses.

Passados 60 anos o concelho de Veiros seria extinto a 4 de Novembro de 1872 um rude golpe para esta singular vila, do qual nunca mais recuperou. Veiros foi integrado no concelho de Monforte, posteriormente no de Fronteira e finalmente no de Estremoz.

A partir de então a História, torna-se menos singular, mais obscura. Veiros partilha o destino de todo o Portugal rural em especial do Sul, marcado pelo crescimento demográfico da primeira metade do século XX (em 1950 eram recenseados 2500 habitantes, fora os “malteses” que andavam de monte em monte), para na segunda metade do século, vítima da crise do mundo rural, das opções de desenvolvimento económico da época e da cegueira do regime de Salazar, ir definhando, num processo que dura até aos dias de hoje…

Por José Maria Painha

Miguel Carola. Tema Simples. Imagens de tema por gaffera. Tecnologia do Blogger.